The World Before | 2026
Título Original: 첫 세계 (Cheot Segye)
Direção: Yoon Dan-bi
Roteiro: Yoon Dan-bi
Elenco principal: Sim Su-bin, Kim Eo-jin
Duração: 115 minutos (1h 55min)
País: Coréia do Sul
Em pleno 2026, não existem mais dúvidas de que a dominação cultural sul-coreana já está consolidada. De mães viciadas em k-dramas, ingressos esgotados para shows de k-pop e até a culinária do país ganhando cada vez mais espaço em plena América do Sul, a barreira cultural mais difícil de ser transposta certamente já se rompeu. Ainda assim, quando nos deparamos com uma obra como The World Before, acabamos com a sensação de que alguns elementos culturais ainda tornam a nossa compreensão de algumas histórias um pouco ineficiente.
No longa, acompanhamos a rotina de Jin (Sim Su-bin), uma adolescente que mora em uma ilha bastante bucólica. Começamos compreendendo a sua relação extremamente afetiva com uma senhora da região que apresenta algum tipo de demência, e quando achamos que a obra vai se desenvolver nesse sentido, nos descobrimos errados: logo nas cenas iniciais, a senhora morre. A linha condutora se torna realmente Jin, principalmente quando o neto desta senhora, Du-jae (Kim Eo-jin), que foi morar em outra região, retorna para o funeral da avó e decide passar o verão por ali.
A obra se desenvolve nesse estilo de pedaço de vida contando sobre esse verão, com temáticas como o amor, amizade, autoestima e relações familiares tendo como ponto de partida essa relação que os dois vão desenvolvendo. Com aquele ritmo lento que nos lembra das tardes preguiçosas de verão na qual sentíamos que o dia nunca ia acabar, seguimos os personagens como cúmplices daquilo que está se desenrolando. É fácil pensar nos nossos próprios sentimentos com um primeiro amor, e o filme consegue ajudar a criar o clima perfeito para isso. Cenas que se passam em pleno golden hour, momentos de uma timidez adolescente que torna os personagens mudos, as suas famílias que vão se tornando cada vez mais importantes na obra. É igualmente previsível se relacionar com essa rotina e compreender o quanto a diretora consegue expressar essas sensações através da técnica audiovisual.
Mas ao mesmo tempo, a obra é tão focada nessa dilatação temporal que se torna um pouco inacessível. Longas cenas com poucos acontecimentos e poucas palavras, com rara movimentação de câmera vão fazendo com que o espectador vá se alienando da trama. Ainda que exista um sentido narrativo, parece haver um conflito entre o desenvolvimento da história e como utilizar a forma audiovisual para fazer isso da melhor forma possível. Há um contraste entre o afeto presente na obra e o modo como ele é colocado em tela, criando uma confusão para quem assiste. Além disso, existem muitos pormenores da trama que ficam em aberto, como a relação entre o rapaz e sua mãe, que quando são mencionados, não conseguem gerar a empatia necessária justamente porque o espectador não tem dados suficientes sobre eles.
Ainda assim, por se tratar de um filme independente, temos acesso a uma visão muito menos editada dessas vivências, além de mais afetivas. Conseguimos ver o carinho da menina com a senhora assim como temos cenas doces e delicadas do seu convívio familiar com uma profundidade que nem sempre temos nos dramas coreanos. O que realmente nos falta é um desenvolvimento de personagem que faça com que, como público, a gente passe a torcer por eles – e não necessariamente como um casal, mas sim como seres humanos que seriam críveis fora das telas.
Com muitos detalhes fofos e um clima geral que realmente nos faz lembrar de uma tarde preguiçosa de verão, fica a reflexão sobre que talvez me faltem os elementos para compreender as nuances desse ritmo lento do filme, ou talvez ele realmente se importe demais com essa memória nostálgica e não se atente a uma espinha dorsal da narrativa focada em seus personagens.
The World Before | 2026
Original Title: 첫 세계 (Cheot Segye)
Director: Yoon Dan-bi
Writers: Yoon Dan-bi
Cast: Sim Su-bin, Kim Eo-jin
Runtime: 115 minutes (1h 55min)
By 2026, there is no doubt that South Korean cultural dominance is firmly established. From mothers addicted to K-dramas and sold-out K-pop concerts to the country’s cuisine gaining ground across South America, the most difficult cultural barrier to cross has certainly been broken. Yet, when we encounter a work like The World Before, we are left with the feeling that certain cultural elements still make our understanding of some stories somewhat incomplete.
In the film, we follow the daily life of Jin (Sim Su-bin), a teenager living on a picturesque, quiet island. We begin by witnessing her deeply affectionate bond with an elderly local woman suffering from dementia; just as we expect the story to unfold along those lines, we are proven wrong: the woman passes away in the opening scenes. The narrative focus shifts squarely to Jin, especially when the elderly woman’s grandson, Du-jae (Kim Eo-jin), who had been living elsewhere, returns for the funeral and decides to spend the summer there.
The film unfolds as a “slice-of-life” story centered on that summer, exploring themes of love, friendship, self-esteem, and family dynamics through the relationship developing between the two protagonists. With a slow pace reminiscent of lazy summer afternoons where the day felt endless, we follow the characters as if we were accomplices to the unfolding events. It is easy to reflect on our own feelings regarding first love, and the film successfully creates the perfect atmosphere for doing so. There are scenes set during the “golden hour,” moments of adolescent shyness that render the characters speechless, and families that become increasingly central to the work. It is easy to relate to this routine and appreciate how effectively the director conveys these feelings through audiovisual technique.
At the same time, however, the film is so focused on this temporal stretching that it becomes somewhat inaccessible. Long scenes with little action, sparse dialogue, and minimal camera movement tend to alienate the viewer from the plot. While there is a narrative arc, there seems to be a conflict between the story’s development and the audiovisual execution. A contrast exists between the affection present in the work and the way it is portrayed on screen, creating confusion for the audience. Furthermore, many plot details remain unresolved, such as the relationship between the young man and his mother. When these matters are mentioned, they fail to elicit the necessary empathy precisely because the viewer lacks sufficient context.
Even so, as an independent film, it offers a less polished, more heartfelt perspective on these experiences. We witness the girl’s affection for the older woman, as well as sweet, delicate scenes of family life that possess a depth not always found in Korean dramas. What is truly missing is character development that would make the audience root for them, not necessarily as a couple, but as human beings who feel believable beyond the screen.
With its many charming details and an atmosphere that evokes a lazy summer afternoon, the film leaves me wondering: perhaps I lack the knowledge of the right elements to grasp the nuances of its slow pace, or perhaps the film is simply too preoccupied with nostalgic memory, neglecting to build a narrative backbone centered on the characters themselves.
