Hold the Fort | 2025

Hold the Fort | 2025

Um horror de baixo orçamento, divertido e sangrento

O cinema de horror pode ser construído sob muitas nuances, desde as mais sérias, psicológicas e realistas, até as mais escrachadas, engraçadas e fantásticas. Hold The Fort, segundo longa do diretor americano William Bagley, se assume como “terrir” logo de cara. O filme esbanja cor e ação, trazendo diversos cacoetes da comédia para si, e explorando inúmeros aspectos do terror em uma “realidade surreal”.

Achar uma boa casa para viver nunca foi tarefa fácil, mas um jovem casal acaba de se mudar para um bairro no interior, longe dos agitos de uma cidade grande e parece ter encontrado o local ideal, com baixo custo e espaço confortável. O casal oscila bastante em relação a satisfação de estar ali, enquanto o rapaz  faz de tudo para convencer que fecharam um bom negócio, a moça segue aflita com a escolha e receosa com essa mudança.

O filme revela, logo de início, que algo anormal acontece na vizinhança. O novo morador, que passa sorridente e empolgado com o clima aparentemente gentil do bairro, fazendo uma corrida diurna, visualiza à sua frente um livro jogado na grama do vizinho com os dizeres “Como Matar Vampiros”. Em pouco tempo o novo casal está inserido em um grupo comunitário de vizinhos, que os convidam para uma festa que parece ser uma tradição local. Realmente nada é tão fácil e bonito como aparenta, entre bebidas e conversas, eles acabam descobrindo que uma vez por ano abre-se um portal do além de onde saem criaturas das mais diversas espécies, dentre elas: bruxas, lobisomens, e fantasmas. 

Hold The Fort mostra que sabe se virar com o baixo orçamento, se assume como um filme indie e não desiste de tentar implementar ideias mirabolantes com muitas referências à clássicos de horror. O diretor faz uma homenagem escancarada e divertida à Bruce Campbell e seu personagem icônico na série de filmes Evil Dead, quando o protagonista tem por diversas vezes sangue esguichando em seu rosto e usa uma mini serra elétrica, como uma caricatura de Ash

Muitas situações no longa são genuinamente engraçadas, algumas mortes em momentos inesperados e piadas bem colocadas divertem e fazem os 74 minutos passarem em bom ritmo. Há um esforço caprichado nos efeitos práticos, no esbanjo do gore, em cenas com pessoas levitando, voando e explodindo. Longe de ser genial ou muito original, Hold The Fort é um filme que traz conforto aos fãs de horror, cria personagens sólidos, embora por vezes pouco aprofundados.

Quando o filme vira essa chave sobre a missão de combate às criaturas fantásticas pelos moradores do bairro, ele se torna uma miscelânea de referências interessantes, recheadas de situações cômicas que são tratadas com desenvoltura pelo elenco. O grupo de vizinhos que começa em conflito, acaba se tornando cativante, ao ponto de o espectador lamentar certas perdas.

Hold The Fort se passa quase inteiramente dentro da casa que eles precisam defender dos monstros, criando toda atmosfera de filmes de home invasion. O longa mexe com o imaginário coletivo dos fãs de filmes de gênero e atesta que o diretor também faz parte desse grupo.

nota

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  • Jornalista carioca, editora e crítica de cinema. Tem foco de interesse e pesquisa em cinema de gênero e feito por mulheres.

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