40 melhores filmes dirigidos por mulheres em 2025
Buscando destacar o cinema feito por mulheres e dando continuidade às listas realizadas em 2023 e em 2024, nossas críticas, Mari Dertoni e Natália Bocanera, prestigiando e celebrando essas produções, selecionaram os melhores filmes dirigidos por mulheres em 2025. Dessa vez, com a colaboração de Carol Ballan, nova parceira do Coletivo.
Foram abrangidos os filmes assistidos em Festivais, Mostras, no circuito de lançamento, streaming ou via cabines de imprensa. Prezamos pela diversidade de países e estilos, com obras que reforçam a importância de se desbravar cada vez mais o cinema feito por mulheres.
São elas:
• Hamnet: a vida antes de Hamlet

Chloé Zhao propõe uma conexão paciente com as raízes da terra e da arte para nos permitir redescobrir esse encantamento em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, que adaptado da obra literária de Maggie O’Farrell, imagina momentos da vida de William Shakespeare (Paul Mescal) e sua família, a esposa Agnès (Jessie Buckley) e os três filhos, que antecederam a escrita de Hamlet, obra-prima do dramaturgo.
Não há gênios e deuses em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet. Há, sim, uma história de amor e de vida a dois igualmente difíceis, em que a compreensão mútua da necessidade de cada um age como chave para a maturidade afetiva. Chloé Zhao não faz de sua obra uma ode ao escritor, ao homem por trás dos clássicos, mas parte das raízes elementares e instintivas da mulher que carregou em seu ventre a vitalidade que teria inspirado sua obra-prima para alcançá-lo como ser humano palpável.
Direção: Chloé Zhao
País: Reino Unido, EUA
Onde assistir: o filme foi exibido no Festival do Rio 2025 e estreia nos cinemas em 15 de janeiro de 2026.
Leia a crítica de Hamnet: a vida antes de Hamlet por Natália Bocanera aqui.
• A Cronologia da Água

Da insuportabilidade da dor deriva a necessidade humana do esquecimento oportuno de memórias. No manejo de traumas, o cérebro possui a incrível capacidade de arquivar aquilo que causa sofrimento, uma autoproteção biológica que torna nossa sobrevivência mais tolerável. Quando tal capacidade mostra-se insuficiente e persiste o calvário, entra a busca ativa por alternativas que possibilitem o cuidado do desconsolo. Em A Cronologia da Água, estreia de Kristen Stewart na direção, a escrita funciona como ferramenta de escape, e a partir dela, a imaginação atua como substituta de fatos, e portanto, como construtora de realidades alternativas que nos colocam em lugares seguros, ainda que irreais.
Direção: Kristen Stewart
País: EUA, França, Letônia
Onde assistir: o filme foi exibido no Festival do Rio 2025 e estreia nos cinemas em 05 de fevereiro de 2026.
Leia a crítica de A Cronologia da Água por Natália Bocanera, para o Berlinale-Rio Talents, aqui.
• Sorda

Se a maternidade é, quiçá, uma das maiores reviravoltas na vida daquelas que optam por segui-la, seja em contexto de mudança do que se conhece por rotina, seja no que diz respeito à responsabilidade de cuidado, não imaginamos que esse desafio pode ser imensamente maior para mães que não atendem às características padrões socialmente exigidas. No caso de Sorda, filme que recebeu o prêmio do público na Mostra Panorama do Festival de Berlim 2025, Ângela, interpretada Miriam Garlo, é uma mulher surda que vai perceber, com maternidade, o aumento do abismo que há entre o seu modo de se comunicar e a forma como a maioria das pessoas se expressa, inclusive, no que diz respeito à sua conexão com a filha. Eva Libertad empodera sua protagonista para que não hesite em lutar por seu espaço, para afirmar-se como mãe num mundo onde todos a julgam incapaz de sê-lo, e para que sua filha seja criada num ambiente em que a comunicação seja ampla e acolhedora.
comentário por Natália Bocanera
Direção: Eva Libertad
País: Espanha
Onde assistir: o filme foi assistido para a premiação do Latin American Critics’ Award for European Films e não tem previsão de estreia no Brasil.
• O Som da Queda

Em sendo a criança o ser humano mais distante da morte, considerando, por evidente, o processo natural do ciclo da vida, quiçá quando esse enfrentamento direto ocorre, desperta e engatilha com ele alguns medos que, silenciosamente, vão permear os pensamentos infantis, mesmo que não haja, ali, nenhuma elaboração ou pouca compreensão a respeito. O alemão O Som da Queda, dirigido por Mascha Schilinski, faz da relação entre a morte e a infância uma sombra na forma de recordações e traumas que, sensorialmente, vão conectar gerações e personalidades diversas de quatro mulheres.
Direção: Mascha Schilinski
País: Alemanha
Onde assistir: o filme foi assistido no Festival de Cannes 2025 e exibido na Mostra SP e não tem previsão de estreia no circuito de cinema ou streaming.
Leia a crítica de O Som da Queda por Natália Bocanera aqui.
• Se eu tivesse pernas, eu te chutaria

A dualidade de sentimentos e sensações acarretados pela maternidade já foi tratada pelo cinema à exaustão. Direta ou indiretamente, filmes podem tanto incentivar o desejo de maternar quanto afastá-lo, a depender do quanto penderá para as extremidades da abordagem – se idealizada ou monstrificada. Não há moralismos ou julgamentos, e nem há (ainda bem) certo e errado em fazer cinema. Fato é que alguns filmes vão se tornar desserviço ou podem, até, trazer pontos de vistas criminosos sobre determinados objetos. Mas isso não faz parte do fazer cinema, o modo, o como fazer, é plenamente livre. Se eu tivesse pernas, eu te chutaria, novo filme de Mary Bronstein vai pender ao extremo mais assustador da maternidade. Não vai tornar a mãe uma vilã, mas vai humanizá-la aflorando e exacerbando suas percepções e aguçando seus sentidos como mãe, como mulher, como mulher que trabalha e que não consegue encontrar um minuto sequer de paz.
Direção: Mary Bronstein
País: EUA
Onde assistir: o filme foi assistido no Festival de Berlim 2025 e está no circuito de exibição dos cinemas brasileiros.
Leia a crítica de Se eu tivesse pernas, eu te chutaria por Natália Bocanera aqui.
•The Mastermind

Reconhecida como uma das diretoras mais relevantes de sua geração, Kelly Reichardt imprime em The Mastermind seu ritmo lacônico característico para construir um filme de assalto que foge às convenções do gênero. O longa assume a forma de um drama criminal contemplativo, sustentado pela presença naturalmente cativante de Josh O’Connor e por uma estética vintage sofisticada, rica em detalhes e texturas.
Ao ridicularizar o estereótipo masculino do ladrão genial, Reichardt apresenta um protagonista ambicioso, convencido de que arquitetou um plano infalível, mas que acaba pagando caro pelo excesso de confiança. O’Connor e Alana Haim compõem o elenco com atuações minimalistas, plenamente integradas ao universo dos personagens, figuras de rotina aparentemente pacata, cuja tranquilidade esconde uma disposição para o risco. Ao observar esses personagens com ironia e precisão, o filme desmonta mitos consolidados e expõe, de forma discreta, as fraturas e desencantos de uma época.
Comentário por Mari Dertoni
Direção: Kelly Reichardt
País: EUA, Reino Unido
Onde assistir: o filme foi assistido no Festival do Rio 2025 e pode ser visto na Mubi.
• A Natureza das Coisas Invisíveis

“Não há nada que façamos no hospital que você não possa fazer em casa”. Quando o corpo vai perdendo a vida e a medicina não mais é suficiente, há curas que só são encontradas nos lares – o lar como espaço físico, o lar como o alento de pessoas queridas, o lar como a alma que precisa aceitar o fim. A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo vai conectar uma geração de mulheres de famílias diferentes através da morte, do modo como a percebemos, e da possibilidade de suas muitas formas em nossas jornadas. Há mortes que se fazem necessárias para que novas vidas possam nascer.
Direção: Rafaela Camelo
País: Brasil
Onde assistir: o filme foi assistido no Festival de Berlim 2025, foi exibido na Mostra SP e no Festival do Rio, e já estreou nos cinemas brasileiros. Não tem data para chegar nos streamings.
Leia a crítica de A Natureza das Coisas Invisíveis por Natália Bocanera aqui.
• Amiga Silenciosa

Você percebe estar diante de uma obra cinematográfica, no mínimo, singular, quando um personagem, sentindo-se mal, expele seu jantar aos pés de uma árvore. Pouco interessa que ele esteja adoentado. Importa o trajeto do conteúdo estomacal sendo absorvido pela terra, tal qual a seiva e sua força vital, até nutrir as raízes daquele ser majestoso, e é para o solo que a câmera nos leva. Ou, ainda, quando um neurocientista, analisando a capacidade de foco humano, conclui em sua pesquisa, através do estudo da atividade cerebral do recém-nascido, que “bebês estão chapados o tempo todo”, já que interferências ou atividades paralelas não prejudicam sua concentração principal.
São peculiaridades como as narradas que fazem de Amiga Silenciosa, dirigido pela húngara Ildikó Enyedi, uma obra que exige um olhar diferenciado, atento, que siga além daquilo que está na superfície telúrica. Ainda somos capazes de observar, fazer uma coisa por vez, com foco, em constante estado meditativo – como fazíamos na tenra idade? Uma suntuosa árvore da espécie Ginkgo biloba é a amiga silenciosa que transcende gerações, testemunha acontecimentos e que nos leva no ritmo de transe fílmico para dizer que sim.
Direção: Ildikó Enyedi
País: Alemanha, França, Hungria
Onde assistir: o filme foi assistido na Mostra SP e não tem data para estrear no Brasil.
Leia a crítica de Amiga Silenciosa por Natália Bocanera aqui.
• Hedda

Da roteirista e diretora Nia DaCosta, Hedda apresenta uma releitura emocional e contemporânea da clássica peça de 1891, assinada pelo aclamado dramaturgo Henrik Ibsen. Com uma abordagem provocativa e envolvente, a obra oferece uma perspectiva renovada sobre o texto original. Brilhantemente interpretada por Tessa Thompson, Hedda encontra-se dividida entre a dor persistente de um amor do passado e o sufocamento silencioso de sua vida presente. Ao longo de uma única noite carregada, acompanhamos tensões, desejos reprimidos e conflitos, conduzindo a protagonista e todos ao seu redor a uma espiral de manipulação, paixão e traição.
Comentário por Mari Dertoni
Direção: Nia DaCosta
País: EUA
Onde assistir: o filme foi assistido no Festival do Rio e pode ser visto no Prime Video.
• Apolo

“Tua existência trouxe cura para nossas crianças feridas.” É cediço que o sol, como fonte primária da energia, torna possível a vida em nosso planeta. Apolo, na mitologia grega, é o deus do Sol, e seu nome representa aquele que é luminoso, que é radiante. O Apolo que intitula o documentário de Tainá Müller e Ísis Broken é uma criança que emana luz para muito além do nome que recebe. Ela é o atestado de existência plena de seus pais, é prova cabal do poder restaurador do amor quando encontra espaço para se manifestar. O Sol, na figura diminuta de um bebê, torna-se a cura do passado de opressão de Lourenzo Gabriel e sua companheira, a própria diretora, Ísis Broken, um casal transgênero que gerou a vida que nascerá através do pai.
Direção: Tainá Müller, Isis Broken
País: Brasil
Onde assistir: o filme foi assistido no Festival Mix do Brasil e pode ser visto hoje nos cinemas brasileiros.
Leia a crítica de Apolo por Natália Bocanera aqui.
• Suçuarana

Estar “na estrada” pode ser um caminho ou um descaminho. O primeiro é quando alguém se lança voluntariamente em um trajeto de liberdade, com um rumo certo ou tendo como objetivo o prazer de ser livre, negando-se fixar território. O segundo é o percurso dos párias, aqueles que têm seu lugar negado, que não são autorizados ao sentimento de pertencimento e por isso vagam sem destino. Em Suçuarana, filme dirigido pela dupla Clarissa Campolina e Sérgio Borges, a personagem errante é Dora (Sinara Teles), não apenas por desejo seu, mas por imposição da fome, levando consigo um traço de esperança na busca pela terra mística de sua origem materna, o Vale de Suçuarana, onde, talvez, haja espaço para si.
Direção: Clarissa Campolina e Sérgio Borges
País: Brasil
Onde assistir: o filme pode ser assistido no YouTube, Google Play e Apple TV.
Leia a crítica de Suçuarana por Vinicius Costa aqui e por Mari Dertoni aqui.
• O Brilho do Diamante Secreto

Reflection in a Dead Diamond é uma obra experimental que fez muitas pessoas, em sessões exclusivas de imprensa, deixarem as salas de cinema. O incômodo consiste justamente no motivo para que outras como ela marquem presença em grandes festivais: o filme é majoritariamente sensorial e carregado de estímulos – sons exacerbados, cores, luzes, agilidade de cortes e, principalmente, fazendo jus ao seu título, a presença de elementos de reflexos que vão brilhar na tela. Diamantes, espelhos, água e vidros vão ser reproduzidos tanto em imagem como em som, sendo possível a oitiva do tintilar do diamante refletido de forma quase que constante.
Direção: Hélène Cattet, Bruno Forzani
País: Bélgica, Luxemburgo, Itália, França
Onde assistir: o filme foi visto no Festival de Berlim 2025, já estreou nos cinemas brasileiros e ainda não está disponível nos streamings.
Leia a crítica de O Brilho do Diamante Secreto por Natália Bocanera aqui.
• Romería

No semi-autobiográfico Romería, novo longa de Carla Simón depois de Alcarrás, Marina (Llúcia Garcia) é uma jovem fragmentada que busca, em um afetuoso coming of age, juntar seus cacos identitários e originários para completar seu registro civil. Órfã desde muito cedo, em razão da morte precoce de ambos causada pelo vício em heroína e pela AIDS, ela cresceu com a família materna, e nunca obteve o reconhecimento da família paterna a respeito de sua existência. Sua memória a respeito dos pais é formada por aquilo que escuta as pessoas dizerem sobre eles. Quando ela obtém uma bolsa de estudos para estudar cinema, ela parte para a cidade ensolarada e marítima de Vigo, na Espanha, para contatar a família do pai e suprir a lacuna existencial através do reconhecimento de sua paternidade.
Direção: Carla Simón
País: Espanha, Alemanha
Onde assistir: o filme foi visto no Festival de Cannes 2025 e não tem data para estrear no Brasil.
Leia a crítica de Romería por Natália Bocanera aqui.
• A Vida Secreta dos meus Três Homens

A história de um país é composta pelos estilhaços de histórias individuais. Através de microcosmos sociais e familiares, é possível traçar uma linha de passado que vai acompanhar os acontecimentos políticos de determinado contexto, e justificar características, situações e ações do presente e do futuro. A veia ancestral pela qual navega Letícia Simões em A Vida Secreta dos Meus Três Homens é a que a conecta com seus antepassados masculinos. A diretora vai estabelecer um diálogo repleto de questionamentos com os fantasmas dos homens de sua vida: o pai, Fernando, um boêmio que ela descobriu ter colaborado com a ditadura militar, o avô, Arnaud, fugido de casa adolescente para encontrar abrigo num grupo de justiceiros cangaceiros, e o padrinho, Sebastião, um homem negro e gay, vizinho de seu avô, que fotografou sua infância. As respostas que ela procura são tanto particulares como coletivas: como se formou seu Eu através desses três homens? E ainda, como a vida secreta dos três contribuiu para a formação da história do Brasil?
Direção: Letícia Simões
País: Brasil
Onde assistir: o filme foi visto na Mostra de Tiradentes 2025 e não tem data para estrar nos cinemas.
Leia a crítica de A Vida Secreta dos Meus Três Homens por Natália Bocanera aqui.
• Manas

Manas constrói um retrato impactante de uma realidade profundamente hostil às mulheres nas comunidades ribeirinhas da Ilha do Marajó, no Pará. O filme lança um olhar atento, sobretudo, para meninas muito jovens, induzidas a práticas sexuais precoces e privadas da infância em uma espiral marcada por abuso e impunidade. Dirigido por Marianna Brennand Fortes, o longa conta com produção de nomes como Walter Salles e ganhou destaque internacional quando o ator e cineasta Sean Penn passou a integrar o projeto como produtor executivo.
comentário por Mari Dertoni
Direção: Marianna Brennand
País: Brasil
Onde assistir: o filme pode ser visto no Telecine e no YouTube.
Leia a crítica de Manas por aqui.
• A Irmã Mais Nova

O filme de estreia da diretora e também atriz Hafsia Herzi pode soar para alguns como um filme panfletário queer, pois em meio a sua complexa narrativa insere situações icônicas a cerca de relacionamentos homoafetivos. Como, por exemplo, momentos de curtição em uma boate lésbica, onde o público vibra entoando em coro frases que expressam suas liberdades sexuais. Também evidencia situações de homofobia vindas de jovens cis europeus em idade universitária. Porém, em A Irmã Mais Nova, vemos uma intenção para além da representatividade LGBT, com uma abordagem que internaliza os dilemas de sua protagonista, resultando em uma obra delicada e original sobre o tema.
Direção: Hafsia Herzi
País: França, Alemanha
Onde assistir: o filme pode foi assistido no Festival de Cannes 2025 e não tem data de estreia no Brasil.
Leia a crítica de A Irmã Mais Nova por Mari Dertoni aqui.
• A Garota Canhota

A criança no centro da narrativa chama atenção pela naturalidade com que enfrenta o turbilhão emocional de uma família profundamente desestruturada. Longe de se apresentar como figura passiva, A Garota Canhota reage às adversidades com iniciativa própria e tenta, à sua maneira, contribuir para a sobrevivência de seu pequeno núcleo familiar.
Na direção, Shih-Ching Tsou mantém o foco nas experiências femininas em uma sociedade taiwanesa marcadamente patriarcal. Já o roteiro de Sean Baker aposta na crueza característica de sua filmografia, equilibrando o retrato duro da classe trabalhadora com um olhar de delicada empatia por personagens que se sacrificam desde cedo em busca de condições mínimas de dignidade.
Comentário por Mari Dertoni
Direção: Shih-Ching Tsou
País: França, EUA, Reino Unido, Taiwan, Singapura.
Onde assistir: o filme pode ser assistido na Netflix.
• Sorry, Baby

Falar de trauma e depressão sem ser piegas faz de Sorry, Baby uma forma delicada e bem humorada (sem perder a melancolia) de se encarar as dificuldades da juventude feminina e de viver a pior parte de ser mulher: a de sofrer abuso de um homem. O primeiro longa-metragem dirigido pela atriz e escritora americana Eva Victor é uma comédia coming-of-age onde, dividido em episódios, acompanhamos transformações nas vidas de duas amigas e como elas se apoiam em suas jornadas.
Anges (Eva Victor) é uma estudante universitária que vive no interior dos Estados Unidos, em uma casa pequena e remota destinada à alunos. O clima é frio, com um sol suave que inunda de luz e traz um pouco de vida às árvores ressecadas pela geada. A jovem protagonista interpretada pela diretora é uma personagem densa, com humor bastante peculiar, introspectivo e melancólico, mas sarcástico e carismático.
Direção: Eva Victor
País: França, EUA, Espanha.
Onde assistir: o filme pode ser assistido hoje nos cinemas.
Leia a crítica de Sorry, Baby por Mari Dertoni aqui.
• Senhoritas

É fato que o cinema, quando atua como refletor de realidades, colabora para a disseminação desses formatos sociais. Não é necessário dizer que atrizes a partir dos 50 anos já sofrem com a carência de papéis e protagonismo nas telas. O cinema reproduz a opressão externa e subvaloriza mulheres, colocando-as nas mesmas caixas invisíveis do mundo real, como mães, avós, meros objetos cenográficos, personagens pouco complexos desprovidos de dimensões. Senhoritas, primeiro longa-metragem de Mykaela Plotkin, faz o exato movimento oposto dessa tendência normatizante, provocando abalo às estruturas ao propor que voltemos os olhares a uma protagonista, esposa, mãe e avó de 70 anos, em redescoberta do amor próprio, o que inclui dar impulso aos seus próprios desejos, e mais ainda, a descobrir-se mais viva que nunca e disposta a usufruir de prazeres simples, mas tidos como proibidos para sua idade.
Direção: Mykaela Plotkin
País: Brasil
Onde assistir: o filme foi visto no CinePE e não tem previsão de estreia nos cinemas.
Leia a crítica de Senhoritas por Natália Bocanera aqui.
• Morra, Amor

Morra, Amor longa de Lynne Ramsay de certa maneira, atrai para si um primitivismo feminino em sua protagonista, a personagem de Grace (Jennifer Lawrence), cujo comportamento felino vai, a princípio, fazê-la uma personagem de liberdades bem definidas, que atende aos desejos instintivos de selvageria em seu melhor sentido. É na maternidade que ela vai encontrar desafios aos limites de sua personalidade livre, a partir do momento em que deixa de dedicar-se a si mesma para responsabilizar-se não só pela pessoa que gerou, mas também para atender as expectativas alheias do que seria, idealmente, a figura da mãe ideal. Ela deixa de trabalhar, deixa de realizar as atividades que lhe eram caras, como a escrita, para tornar-se mãe com exclusividade, enquanto seu companheiro, Jackson (Robert Pattinson), assume a função masculina provedora do lar. A atribuição dessas funções bem estabelecidas socialmente vai desequilibrar a relação, desequilíbrio que culminará com a depressão pós-parto que Grace se verá enfrentando.
Direção: Lynne Ramsay
País: EUA, Reino Unido
Onde assistir: o filme pode ser assistido hoje nos cinemas.
Leia a crítica de Morra, Amor por Natália Bocanera aqui.
• A Meia-Irmã Feia

“Se quer ser bonita tem que sofrer”
O Conto da Cinderela tá diferente, tá podre, sujo, escatológico e azedo. A Meia-Irmã Feia se sai melhor do que A Substância no trato da ditadura da beleza, o filme segue por caminhos inesperados e decide ser brutal, mas vestindo babados e fino cetim do início ao fim. Grande destaque para capricho visual, figurino e ousadia no gore. O longa faz uma releitura moderna de um clássico romântico, denunciando inclusive, os males do romantismo.
Explicitamente um filme contra a moral e os bons costumes, com personagens tóxicos, que matam o sonho de princesa da menina feia que aguenta tudo (e mais um pouco) em busca de “ser bonita”. Vermes, mutilações e sacrifícios dolorosos sob a direção cuidadosa da estreante em longas-metragens Emilie Blichfeldt, sempre atenta aos detalhes e dramas femininos. Prepare-se.
comentário por Mari Dertoni
Direção: Emilie Blichfeldt
País: Dinamarca, Noruega, Polônia, Suécia
Onde assistir: o filme pode ser assistido na Mubi.
• Amores Materialistas

Na era dos apps de namoro, onde ninguém mais parece saber se relacionar de outra forma a não ser com um empurrãozinho do algoritmo, começando diálogos que mais parecem uma entrevista de emprego e não uma conversa de pessoas que estão interessadas uma na outra, Celine Song comenta sobre “oque” está se tornando a busca por um par ideal em Amores Materialistas , seu segundo longa metragem.
Depois do enorme sucesso de Vidas Passadas (2023), não tem como não criar expectativa sobre os próximos passos da diretora coreana. Dessa vez, menos minimalista e mais aberta ao cinema estadunidense, com um elenco e set de filmagens americanos, ela volta a falar de amor, relações conflituosas, encontros e desencontros em uma comédia romântica estrelada por Dakota Johnson, com Chris Evans e Pedro Pascal.
Direção: Celine Song
País: Estados Unidos
Onde assistir: o filme pode ser assistido na HBO Max.
Leia a crítica de Amores Materialistas por Mari Dertoni aqui.
• Late Shift

Late Shift é ambientado em uma noite de tensão contínua, o longa acompanha a rotina exaustiva de uma enfermeira cujo trabalho parece não ter fim. Leonie Benesch interpreta uma profissional de saúde sobrecarregada e pouco valorizada, que precisa administrar crises grandes e pequenas ao longo do turno. Escrito e dirigido pela cineasta suíça Petra Volpe, o filme aposta em um drama familiar direto e envolvente para retratar a pressão constante da profissão na vida de uma mãe que tentar fazer o melhor em seu trabalho e encontra dificuldades para criar sua filha.
comentário por Mari Dertoni
Direção: Petra Volpe
País: Suíça, Alemanha
Onde assistir: o filme ainda não pode ser visto no Brasil.
• Ride or Die

A juventude urge por aventuras e acontecimentos imediatos, e se deixar levar por uma paixão é fácil quando há nos indivíduos a necessidade de envolvimentos mais significativos. Especialmente no caso de Paula (Briana Middleton), protagonista de Ride or Die – longa de estreia da diretora americana Josalynn Smith, que reencontra um antigo crush da escola, agora mais madura e confiante com sua sexualidade queer.
Paula é uma mulher negra, de cabelos curtos e encaracolados. Por força do acaso, encontra Sloane (Stella Everett) — sua enigmática paixão do ensino médio, em um brechó vintage em St. Louis, onde ela trabalha como caixa. Sloane tem cabelos loiros, olhos e pele clara, um piercing no septo e se veste de forma provocante. Na primeira troca de olhares as meninas se reconhecem e se conectam com certo magnetismo quase erótico, resgatando a nostalgia de uma atração antiga entre elas.
Direção: Josalynn Smith
País: Estados Unidos
Onde assistir: o filme foi assistido na cobertura do Festival de Tribeca e ainda não pode ser visto no Brasil.
Leia a crítica de Ride or Die por Mari Dertoni aqui.
• Toque Familiar

Dirigido por Sarah Friedland, Toque Familiar é um drama sensível que acompanha o avanço da demência em uma mulher idosa e o impacto da doença em suas relações familiares. Kathleen Chalfant se destaca no papel de Ruth, personagem que, à medida que se distancia da realidade, constrói um universo próprio, reacende desejos e mescla lembranças, enquanto seu filho tenta lidar com a situação de forma cuidadosa e afetiva.
comentário por Mari Dertoni
Direção: Josalynn Smith
País: Estados Unidos
Onde assistir: o filme ainda não pode ser visto no Brasil.
Leia a crítica de Toque Familiar por Natália Bocanera aqui.
• Virtuosas

A religião comumente rege comportamentos sociais e posicionamentos políticos e a bíblia, além de espalhar a palavra de Deus, é como uma cartilha para que os cristãos vivam uma vida plena sobre seus preceitos. O conceito de “mulher virtuosa” gira em torno de uma citação em Provérbios 31:10 que diz: “Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis. Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar!”. Em Virtuosas, novo longa dirigido por Cíntia Domit Bittar, esse conceito que hoje é apropriado pela extrema-direita conservadora é abordado de forma satírica, crítica e bem humorada, numa obra que explora o cinema de gênero como impulsionador narrativo.
Direção: Cíntia Domit Bittar
País: Brasil
Onde assistir: visto na Mostra SP, sem data de estreia no Brasil
Leia a crítica de Virtuosas por Mari Dertoni aqui.
• Família de Aluguel

A ideia principal do roteiro é bastante simples: Phillip (Brendan Fraser) é um ator estadunidense que vive em Tóquio e tem dificuldade para encontrar papeis que fujam dos estereótipos básicos de uma pessoa branca em meio aos japoneses. Surge então uma nova oportunidade de carreira, de atuar em uma agência de familiares por aluguel, com pessoas que o contratam pelos motivos mais diferentes o possível. Apesar de relutante com a ideia, ele acaba aceitando e partindo em uma jornada que na realidade explora muito mais sobre a condição humana e sua busca por conexões do que sobre sua carreira como ator.
Direção: Hikari
País: EUA
Onde assistir: nos cinemas na data desta publicação
Leia a crítica de Família de Aluguel por Carol Ballan aqui.
• A Voz de Hind Rajab

Existem filmes cuja importância consegue ultrapassar qualquer barreira técnica, e é nessa categoria que se encaixa A Voz de Hind Hajab. O drama tunisiano usa o áudio real de uma ligação recebida pelo socorro palestino, de uma garota de 6 anos presa em um veículo e que precisa de resgate. Entre sua mensagem humanitária e a representação de um dos grandes conflitos do ano, é inegável a sua relevância.
Mais do que isso, o filme ajuda a lembrar o que é se sentir sensibilizado em um momento em que o excesso de informações costuma ser paralisante. Ainda que em alguns momentos a ficcionalização pareça quase irreal de tão dramática, a demonstração da realidade nos recorda da importância da arte e da política em 2026.
comentário por Carol Ballan
Direção: Kaouther Ben Hania
País: Tunísia, França
Onde assistir: visto no Festival de Toronto. Estreia nos cinemas em 29 de janeiro de 2026.
• Guerreiras do K-Pop

Não existe dúvida que Guerreiras do K-pop se tornou um marco cultural, a ponto de ter sido lançado no streaming e depois relançado nos cinemas, com uma versão para fãs cantarem junto às idols nas telonas.
Marca da vitória do soft-power sul-coreano reembolsado aos moldes de Hollywood, a obra ainda coloca um novo capítulo da representação feminina na animação infantil. Nada de princesas: aqui, as protagonistas cantam e dançam, mas é para lutar pela humanidade. E, de quebra, ainda temos uma pauta identitária com uma grande leitura queer.
comentário por Carol Ballan
Direção: Maggie Kang e Chris Appelhans
País: EUA
Onde assistir: disponível na Netflix
• Cyclone

Até 1932, às mulheres não era permitido o voto, portanto, não gozavam do status de cidadãs políticas. É exatamente nesse contexto de institucionalização do patriarcado que viveu a escritora Maria de Lourdes Castro Pontes, mais conhecida como Miss Cyclone, que inspirou e deu vida ao novo filme de Flávia Castro, Cyclone. Na São Paulo de 1919, a modernista, vivida por Luiza Mariani, era uma figura marginalizada, submetida a condições precárias, que escrevia peças de teatro cuja autoria lhe era negada e absorvida por homens, e mantinha um relacionamento amoroso e profissional com um homem casado, o também dramaturgo Heitor Gamba (Eduardo Moscovis). Trabalhava como operária fabril num jornal durante o dia, e era dramaturga à noite. Seu sonho: ir para Paris, com o objetivo de exercer a escrita por tempo integral e existir somente como Cyclone.
De fato, a tradução do sonho de Cyclone é muito mais simplória do que uma viagem somente de ida para Paris. Seu grande intuito era viver plena e dignamente de sua arte. O panorama legal opressor do Brasil daquele tempo sequer lhe dava chances de se aproximar, ainda que minimamente, de uma vida digna: uma mulher, solteira, concubina e pobre era invisível naquele sistema. Flávia Castro adentra o interior dessa mulher em luta de modo muito íntimo, com a câmera sempre próxima, por vezes observadora entre cantos e objetos, que quase a encurrala, de modo que compreendamos que a lógica de seu raciocínio é a arte em si. A protagonista cria e pensa histórias e suas expressões escritas para o teatro vinte e quatro horas por dia. Ser livre para escrever e ter seu trabalho reconhecido é uma questão de sobrevivência.
Direção: Flávia Castro
País: Brasil
Onde assistir: nos cinemas em algumas regiões, sem previsão de disponibilidade nas plataformas de streaming.
Leia a crítica de Cyclone por Natália Bocanera aqui.
• Fucktoys

Fucktoys é um filme com uma premissa quase prosaica: uma garota que consulta um vidente que lê seu tarot e descobre que está amaldiçoada parte em uma busca entre seus contatos, clientes e colegas para conseguir a soma em dinheiro necessária para fazer o ritual de sacrifício de um cordeiro para livrá-la desse mal. Isso poderia facilmente se desenvolver para um drama, um thriller ou até um horror – mas a diretora Annapurna Sriram segue no caminho mais ousado de uma comédia satírica queer impressionante no formato e conteúdo.
Direção: Annapurna Sriram
País: EUA
Onde assistir: visto no FantasPOA, sem previsão de estreia nos cinemas brasileiros.
Leia a crítica de Fucktoys por Carol Ballan aqui.
• Pequenos Pecados

Dirigido pela cineasta Urška Djukić, Pequenos Pecados propõe uma abordagem sensível da sexualidade feminina, da repressão religiosa e das dinâmicas complexas da amizade na adolescência. A narrativa acompanha Lucia, uma jovem introvertida de 16 anos que ingressa no coral feminino de sua escola católica, onde se aproxima de Ana-Maria, uma aluna veterana, popular e provocadora. É nesse ambiente marcado por normas rígidas e contradições morais que o longa observa o despertar sexual da protagonista e os conflitos gerados por suas escolhas.
comentário por Mari Dertoni
Direção: Urška Djukić
País: Eslovênia, Itália, Croácia e Sérvia
Onde assistir: visto para votação do Latin American Critics Award for European Filmes e na Mostra de Cinema de São Paulo, sem previsão de estreia nos cinemas brasileiros.
• O Testamento de Ann Lee

O surpreendente musical sobre a primeira líder religiosa dos Shakers traz, assim como no seu irmão espiritual O Brutalista (2025), uma releitura sobre algumas das pessoas que ajudaram a fundar os EUA. Se no primeiro temos a mistura de genialidade, preconceito e exploração, aqui temos a mistura entre fé, cultos e, bem, exploração. Acompanhamos a vida de Ann Lee desde que ela era uma criança na Inglaterra, dividida entre uma devoção religiosa precoce e as mazelas de ser uma criança no século XVIII até o final da sua vida, como líder religiosa nos EUA.
Direção: Mona Fastvold
País: Reino Unido, EUA
Onde assistir: visto no Festival de Toronto. Estreia nos cinemas brasileiros em 12 de março de 2026.
Leia a crítica de O Testamento de Ann Lee por Carol Ballan aqui.
• Massa Funkeira

Massa Funkeira é nostálgico ao reunir relatos de grandes celebridades do Furacão 2000, a produtora que catapultou o funk no Brasil e no exterior, como Tati Quebra Barraco, O Bonde do Tigrão e Valesca Popuzuda. O primeiro ato do documentário reforça esse saudosismo explorando a dramaticidade das vidas dos personagens, muitos contando de suas condições de pobreza e o auge da esperança e do sucesso proporcionados pela música. A câmera transita pelos becos e entra na casa dos MCs para ouvir como tudo começou e os efeitos do funk em suas realidades. Da mulher explorada no trabalho à mãe-funkeira que conseguiu sustentar a casa com sua música, ao garoto que escapou das garras do tráfico para virar um dos grandes compositores da comunidade.
Direção: Anna Rieper
País: Brasil
Onde assistir: visto na Mostra SP. Sem previsão de estreia nos cinemas.
Leia a crítica de Massa Funkeira por Vinicius Costa aqui.
• Livros Restantes

Ler livros é embarcar em histórias alheias, mas muitas vezes nos faz sentir pertencentes a elas. A relação afetiva entre pessoas e a literatura cria, além de forte conexão com as obras, uma vontade genuína de presentear quem se gosta com uma leitura que acreditamos poder atingir de forma marcante a vida de outro ser humano. Livros Restantes, novo longa da cineasta carioca Marcia Paraiso, nos revela o encantador e denso universo particular da protagonista Ana Catarina, interpretada por Denise Fraga.
Livros Restantes trata a relação da protagonista com os livros como ondas nostálgicas de memória, como recortes no tempo cheios de significados especiais (pelo menos para ela). Nessa jornada de reencontros ela se surpreende e se decepciona com colegas que pareciam tão afetuosos em uma época, mas que agora não fazem mais sentido algum. Se magoar nesse processo é importante para rever conceitos e ter uma perspectiva mais intensa de progressão do tempo e de como certas coisas se modificam silenciosamente à distância.
Direção: Márcia Paraíso
País: Brasil
Onde assistir: nos cinemas na data desta publicação.
Leia a crítica de Livros Restantes por Mari Dertoni aqui.
• Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe

Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe é um documentário dirigido por Sepideh Farsi, jornalista iraniana exilada que vive em Paris e retrata a vida em Gaza durante a campanha militar genocida israelense em curso. Isso acontece através da captura de videochamadas de Farsi com uma jovem moradora da região.
Farsi se coloca como personagem nesse filme, que parece ter crescido muito mais do que a diretora poderia imaginar. Incomodada com a impotência diante dos bloqueios à ajuda humanitária em Gaza, a jornalista observa de longe os massacrantes bombardeios ao povo palestino com inquietude. Ela resolve transformar esse incômodo em alguma ação possível: iniciando uma série de videochamadas com Fatima Hassouna — apelidada de Fatem — que, ao longo de um ano, dá origem a um diálogo transformado em uma comovente e surpreendente obra de arte neste filme.
Direção: Sepideh Farsi
País: Irã
Onde assistir: nos cinemas na data desta publicação.
Leia a crítica de Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe por Mari Dertoni aqui.
• Sobre Tornar-se Uma Galinha-d’Angola

Denso, atmosférico e inventivo, Sobre Tornar-se Uma Galinha-d’Angola expõe o sofrimento velado de inúmeras mulheres, confrontando o espectador com uma realidade que historicamente responsabiliza as esposas pelo fracasso e pela decadência de seus maridos. O filme aborda relações marcadas pelo abuso, pela submissão e pelo silêncio imposto, mas aponta para a possibilidade de ruptura a partir da própria consciência feminina.
Vencedor do prêmio de direção na mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes, o longa de Rungano Nyoni retrata o cotidiano de uma família na Zâmbia, inserida em uma estrutura social profundamente machista, que reduz as mulheres à condição de serviçais dentro do núcleo familiar. Trata-se de uma obra de alerta e resistência.
comentário por Mari Dertoni
Direção: Rungano Nyoni
País: Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos
Onde assistir: filme assistido no Festival do Rio, sem data para estreia no Brasil.
• A Colheita

Visualmente exuberante, A Colheita se destaca pelo uso expressivo de texturas e cores, assumindo por vezes um caráter onírico e alucinatório. Sob essa estética hipnótica, o filme expõe a frieza que atravessa as relações humanas. A narrativa acompanha o colapso de uma comunidade rural isolada, incapaz de lidar com questões externas e com aquilo que foge ao seu cotidiano, revelando a intolerância diante do desconhecido como força destrutiva.
Um episódio de quase morte por afogamento em urina e cenas de forte impacto simbólico, evidenciam um olhar feminino singular sem medo de se arriscar da cineasta Athina Rachel Tsangari sobre uma sociedade patriarcal arcaica, marcada por valores rígidos e pensamentos engessados. A violência é um elemento constante na linguagem do filme, embora se manifeste de maneira difusa e metamórfica, nunca totalmente explícita. A direção privilegia longos espaços e tempos dilatados, o que por vezes torna o ritmo arrastado, mas contribui decisivamente para a construção de uma atmosfera opressiva — mesmo em meio a campos verdes e paisagens de aparência paradisíaca.
Caleb Landry Jones entrega uma performance expressiva, encarnando um personagem atravessado por um profundo e angustiante esvaziamento existencial.
comentário por Mari Dertoni
Direção: Athina Rachel Tsangari
País: Chipre, Alemanha, Grécia, Reino Unido, Estados Unidos e França
Onde assistir: disponível na Mubi.
• Os Sapos

Os Sapos faz uma excelente fabulação sobre o aprisionamento sentimental feminino. O roteiro aborda amores fluidos e as múltiplas perspectivas sobre as relações amorosas, tratando os temas com naturalidade, seja naquilo que precisa ser verbalizado, ou seja no que se expressa apenas pela imagem.
Comentário por Mari Dertoni
Direção: Clara Linhart
País: Brasil
Onde assistir: disponível no Telecine.
• Bug Diner

Sinceramente, você vai ficar se contorcendo no sofá com a safadeza desses insetos. Bug Diner é um curta de animação criativo e divertido sobre erotismo e desejos.
Comentário por Mari Dertoni
Direção: Phoebe Jane Hart
País: Estados Unidos
Onde assistir: disponível na Mubi.
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